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Entrevista Ramon Lid

Clarisse Gonçalves

21 de mar. de 2022

Cria da Baixada Fluminense e recém morador da Zona Norte do Rio de Janeiro, Ramon Lid, 1989, é Artista Visual, Grafiteiro e Designer Gráfico. Em 2004 o artista dá início aos primeiros riscos com spray nas ruas de São João de Meriti e que já levou a algumas partes do Brasil como artista.


Seu trabalho reflete muito a sua vivência no cenário da Baixada Fluminense, lugar onde cresceu, transita, e onde é sua fonte de pesquisa. Trazendo assim elementos territoriais da Baixada, memórias afetivas, assim como, reflexões e análise crítica de uma visão artística de como a arte é restrita para meios periféricos. A imersão visual também percorre outros aspectos que estão recorrentes em suas obras, a questão do tempo é uma delas, simbolizada algumas vezes por ampulhetas, relógios, números romanos ou ponteiros. A palavra em forma de lettering surge formando o background, e torna-se norte enquanto se funde ao trabalho junto a todos os elementos. Marcando com o tom turquesa que traz como símbolo a indiferença daqueles que têm pele preta e são de origem periférica. Nesse complexo universo de traços hachurados, Ramon Lid vai se descobrindo a cada passo, maneiras de expressar sentimentos, experiências, recortes de lugares e sentimentos do cotidiano periférico.

_ Ramon, como surge seu interesse pelo grafite?

Bom, esse processo se iniciou aos 12 anos, na época que comecei a desenhar e, junto a isso, comecei a ver os primeiros graffitis nas ruas, quando passava pelo Centro e em Niterói, nas visitas à casa do meu irmão mais velho, com minha mãe.

Com 13 anos, comecei a riscar as primeiras letras no papel com um vizinho que tinha aprendido com um amigo de escola algumas letras de graffiti. Pouco tempo depois conhecemos o Erko, que era o maluco da área que já fazia graffiti na parede. Na época, como a tinta era cara, ele fazia com pistola de pintura e compressor. Foi ele quem me passou as técnicas para dar meus primeiros passos no muro. Já tinha uma cena acontecendo, mas pra buscar referências de outros grafiteiros naquela época, a referência mais prática que tínhamos era das revistas hehe e pouco tempo depois facilitou com o falecido Fotolog. Caramba, isso tem muito tempo rs. Anos antes disso, em 1998, minha irmã me levou pela primeira vez a uma exposição (que deu um nó na minha cabeça) de Salvador Dalí, no Museu Nacional de Belas Artes. Fiquei encantado com tanta loucura daquele cara rs. Porém, como um garoto de periferia, a pichação estava mais próxima disso antes de chegar o graffiti. Então fui juntando isso tudo, fui me alimentando cada vez mais de arte. Considero 2004 a época em que me lancei mais a pintar na rua e aprender mais sobre o graffiti, conhecer outra galera que já tava pintando, o que deu início ao meu interesse por artes em geral um pouco mais pra frente. Leia a matéria completa: https://revistadesvio.eba.ufrj.br/2021/11/12/entrevista-ramon-lid/



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